Barra do Garças – MT – 17 de abril de 2024
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Lder de esquema que sonegou R$ 370 mi lucrava alto traficando ecstasy


As operações Déjà Vu e Odisseia, deflagradas na manhã da última quarta-feira (31), pela Delegacia Especializada de Crimes Fazendários (Defaz) em conjunto com o Ministério Público de Mato Grosso (MP-MT), tinham como alvo dois empresários que já eram conhecidos pela Justiça. Acusados de liderar um esquema de sonegação fiscal que resultou na não arrecadação de R$ 370 milhões em Iimposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), os dois eram suspeitos pelos crimes de falsidade ideológica e tráfico de drogas.

As investigações apontaram ainda o histórico criminoso dos suspeitos, que vão desde o tráfico de drogas ao crime de falsidade ideológica. Responde a este último Mário Teixeira Santos da Silva, que é réu em uma ação penal que tramita na Sexta Vara Criminal de Cuiabá. Ele teria inserido declarações falsas em documentos particulares para pedidos de autorização para trabalho em outros municípios, em nome da empresa FB Brasil Serviços Ltda ME.

Entre os beneficiados com as informações falsas estavam o traficante Márcio Batista da Silva, o Dinho Porquinho, e Marcelo Nascimento da Rocha, o “Marcelo Vips”, conhecido como o ‘maior estelionatário do Brasil’, que ganhou fama nacional após se passar por filho do dono da companhia aérea Gol, em um programa de TV. Os dois detentos utilizavam os documentos disponibilizados por Mário Teixeira Santos da Silva como prova de atividade laboral para a remissão de pena e consequente progressão de regime junto a Vara de Execuções Penais.

Embora não tivesse, até então, registros criminais, o empresário Bruno Cicaroni Alberici confessou em uma conversa com o delator do esquema, Alexsandro de Sousa Silva, que já traficou drogas sintéticas para Mato Grosso. Segundo uma conversa a qual os investigadores tiveram acesso, Bruno revelou que encomendava ecstasy de Goiânia, faturando entre R$ 40 mil e R$ 50 mil mensais, chegando a ter até mesmo o telefone “grampeado”.

De acordo com o relato, a droga vinha da capital de Goiás, mas em uma das viagens, o motorista acabou sendo flagrado pela polícia e acabou contando o esquema. Bruno Cicaroni Alberici contou a Alexsandro que chegou a ser investigado, mas não respondeu pelo crime porque não havia provas contra ele. No entanto, o empresário revelou que soube ter sido alvo de escutas judiciais, por conta de ligações que fazia para um amigo, em uma penitenciária, contando ainda quanto faturava com o tráfico.

“Rapaz, era barato demais lá em Goiânia, tipo custava R$ 7 reais e vendia por R$ 25 aqui. Quando chegava, vendia tudo. Fazia R$ 40 mil, R$ 50 mil em um mês. A gente achava que não era nada, que era balinha… balinha, não é droga… Negócio de droguinha de playboy. Essa que dá o В.О. porque é tráfico internacional jovem. E o pior de tudo, é que foi a segunda vez que nós pedimos. A primeira passou. Na segunda, o motorista foi trazer, a polícia entrou com os cachorros no busão e achou a droga”, contou.

Prejuízo de empresas

Além da criação de diversas empresas de fachada, ficou constatado que o grupo criminoso induzia o Poder Judiciário ao erro, obtendo liminares indevidas, com o objetivo de fraudar a fiscalização e lesar os cofres públicos.

De acordo com as investigações, a organização criminosa utilizou 17 empresas e gerou um prejuízo aos cofres públicos de R$ 352 milhões, por conta da sonegação fiscal. Apenas a empresa J. P. de Mendonça Madeiras – ME, que pertencia ao empresário Alexsandro de Sousa Silva, delator do esquema, gerou um desfalque tributário de R$ 58,6 milhões ao Governo do Estado.

Outras quatro empresas utilizadas pela organização criminosa sonegaram mais de R$ 40 milhões durante o período em que estiveram ativas: Veloz Transportadora de Cargas Ltda (R$ 44,9 milhões), J. A. Transportes de Cargas Ltda (R$ 40,2 milhões), E Martins Rocha e Cia Ltda (R$ 49,1 milhões) e CR Comércio de Madeiras Eireli EPP (R$ 40,8 milhões).

 

EMPRESAS

Veloz Transportadora de Cargas Ltda – R$ 44.964.164,40

4K Transportes Eireli ME – R$ 1.507.240,17

Mad Max Indústria e Comércio Ltda – R$ 13.957.391,02

Transportadora Norberto Ltda – R$ 25.709.002,69

Transfox Transportes Rodoviários de Cargas Eireli – R$ 156.454,04

W A Transportes Ltda – R$ 28.824.398,36

Augustinho Vieira da Silva – ME – R$ 11.911.481,74

Castelo Comércio de Madeiras Ltda – R$ 33.655,87

Silvio Cordeiro Barbosa Eireli – R$ 8.734.502,97

J. A. Transportes de Cargas Ltda – R$ 40.297.610,70

Brilho Transportes Ltda – R$ 332.104,35

Transgold Transportes e Logística Eireli – R$ 16.328.433,58

Geraldo Monteiro Barbosa – R$ 9.200.321,07

Sul América Transportes Eireli EPP – R$ 1.397.634,27

J. P. de Mendonça Madeiras – ME – R$ 58.611.622,91

E Martins Rocha e Cia Ltda – R$ 49.181.675,24

CR Comércio de Madeiras Eireli EPP – R$ 40.863.545,95

 

TOTAL – R$ 352.011.239,33



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