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Athletico 100 anos: Washington e Assis, o Casal 20

Quem os vê na mesma foto com as camisas rubro-negras “meio a meio” usadas em 1983 acha que a dupla já nasceu junta e pronta, mas não foi bem assim.

Aos fatos: em março de 1982, o Athletico foi goleado em casa pelo Ceará e eliminado da Taça de Ouro. Dois dias depois, cinco jogadores do Internacional (RS) foram anunciados como reforços. O mais badalado era o ponta direita Piter, mas no pacote estavam, mas o lateral João Carlos, o atacante Jones e dois meias, Washington e Assis. Piter, porém, pediu acima do teto salarial e não ficou. Jones também não acertou.

Aliás, quase não ficou ninguém, pois o então presidente Onaireves Moura não queria o negócio e tentou desfazê-lo numa briga pública com o superintendente Hélio Alves e os diretores de futebol João de Oliveira Franco e Antonio Carletto Sobrinho. A notícia ocupou o rodapé das páginas dos jornais. A bronca maior era com Assis, que já tinha 28 anos e bastante rodagem. O negócio foi fechado semanas depois, quando o Colorado aceitou pagar cerca de R$ 80 mil (na cotação atual), mais o passe da dupla para ter o lateral Augusto.

Como o Athletico ficou sem calendário, os dois estrearam em amistosos sem muito destaque. Na segunda rodada do Paranaense, contra o Matsubara, na Baixada, a mágica começou a acontecer. Assis, jogando com a 9, fez os dois gols da vitória, os primeiros dos 36 gols da dupla campanha do título de campeão paranaense que quebrou um jejum de 12 anos sem um troféu de estadual.

Foi só no decorrer dos jogos que o treinador Geraldino achou a posição da dupla, com o baiano Washington no comando do ataque e o paulista Assis flutuando pelo ataque com sua elegância sem igual que o poeta rubro-negro Augusto Mafuz assim descreveu: “Quando Assis tocava na bola, não fazia barulho”. 

O Brasil vivia um período de abundância de craques com a base da histórica seleção de 1982 disputando o Brasileiro, com exceção de Falcão, nos principais times. Quem brilhou, no entanto, foi a dupla Washington e Assis que comandaram o Furacão para uma inédita semifinal contra o Flamengo na histórica partida com o maior público de todos os tempos do estado. Dois gols de Washington não bastaram para classificar o CAP à final. 

Ambos foram vendidos ao Fluminense naquele ano e lá foram enfim campeões nacionais, chegaram à seleção e ganharam (do grande Ibrahim Sued) o apelido inspirado numa série enlatada da TV americana. Mas a mágica da dupla mais cool da história mudou a vida do Athletico, que desde então soube que tudo era possível, inclusive ganhar dos grandes jogando bonito.

Tanto que os dois voltaram ao Athletico. Washington em 1991, a tempo de fazer gols importantes e participar do Torneio de Winterthur, na Suíça, primeira viagem à Europa do Furacão. Assis voltou pela primeira vez em 1988 e, como reserva de alto luxo, fez gols decisivos em Atletiba e nas semifinais que nos deram o título. Dois anos depois, também fez parte do elenco campeão, para depois penduram as chuteiras.

O destino que os uniu em vida também os aproximou na hora do adeus. Os dois craques faleceram em Curitiba em um intervalo de poucas semanas no inverno de 2014. Como que para provar que – assim como nas grandes histórias de amor – não poderia haver Washington sem Assis e vice-versa.

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